António Areal

A.H.A.Q.O.V.F.P.P.S.A.F.T.

«António Areal» in Más que Vanguardia. Arte Portugués entre dos Siglos - Fondos de la Colección Moderna / Museo Calouste Gulbenkian, Lisboa. Burgos: Fundación Caja de Burgos, 2016. ISBN: 978-84-92637-91-1

Artista autodidacta, António Areal inicia a sua trajectória na década de cinquenta, desenvolvendo o seu trabalho nos campos do desenho, pintura e escultura, numa prática assente em referências estéticas heterogéneas. Entre 1953 e 1958 utiliza o claro-escuro e a indefinição dos objectos e da paisagem, em desenhos de carácter onírico e visionário com patente influência do surrealismo, que começara a impor-se em Portugal na segunda metade dos anos quarenta, influenciando vários artistas emergentes da década seguinte. Em obras posteriores, da fase 1961-1963, António Areal desenvolveu práticas de pintura informalista, com uma matriz gestual. Após 1964, o artista produziu composições pictóricas de cariz neofigurativo, que refere como «figuração abstracta» em nota à superação da polémica nacional entre figurativos e abstractos e entre surrealistas e neo-realistas, dedicando-se também à construção de objectos tridimensionais, pintados, onde se torna patente a atracção pelo uso das técnicas de assemblage e colagem com inscrições pictóricas de formas geométricas estilizadas.
Este trabalho corresponde ao período mais interessante da produção de António Areal, quando estabelece uma aproximação conceptual e formal à corrente Neo-Dada, de importância crescente na Europa e nos Estados Unidos, interessando-se por abordagens e manifestações  empenhadas na ideia de dessacralizar a arte, e produzindo neste caso uma escultura sem materiais nobres, devedora do ready-made de Marcel Duchamp, simultaneamente objectos de matriz construtiva e objectual e de figuração gráfica e pictórica.
António Areal apresenta uma primeira série destes objectos de madeira, caixas com assemblages e cubos pintados e desenhados, em Junho de 1964, na Galeria Divulgação, atribuindo a razão da sua viragem da pintura para a escultura ao lado inclusivo desta, por absorver técnicas e procedimentos  pictóricos, a linearidade do desenho e a tridimensionalidade. Nessa exposição é divulgada uma folha com um texto seu, intitulado «Quem há-de ser contemporâneo», onde reage criticamente ao conservadorismo e ao provincianismo do panorama artístico português. A conjugação da actividade artística com uma escrita de intervenção foi, de resto, outra marca forte do seu percurso.
A caixa de madeira «A.H.A.Q.O.V.F.P.P.S.A.F.T.» (1964), pintada a preto no exterior e a branco no interior, apresenta uma inserção de objectos, um cubo miniatura e um poleiro, sobre uma face de vidro. Com uma pega de ferro, o seu corpo surge inscrito com elementos circulares concêntricos, em forma de alvos, com jogos de cor e de opostos.
Dominante é o círculo/alvo pintado a preto sobre o fundo branco interior que, tal como as formas cúbicas, são recorrentes na obra de António Areal, surgindo em variações, na forma de círculos negros, concêntricos, esferas, discos e alvos de natureza gráfica, preenchendo também silhuetas pretas, como acontece em pinturas destes mesmos anos e posteriores, de matriz Pop Art e Op Art.
António Areal retoma mais tarde uma nova série de caixas que apresenta na Galeria Quadrante, em 1969. Nesta fase elas surgem vazias, evidenciando a impossibilidade da representação, mantendo-se nos títulos jogos de sentido duchampiano e surrealizante, complexos mas indefinidos, preservando a ocultação, a transcendência e o mistério arquetípicos da caixa.

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