Ana Pérez-Quiroga

Diz que me amas

Texto de apresentação da exposição de Ana Pérez-Quiroga, Diz que me amas, Galeria Filomena Soares, Lisboa, 2002.

A ordem da necessidade e o princípio do risco são sem dúvida os aspectos mais marcantes da obra de Ana Pérez-Quiroga. Isto porque no seu trabalho, ao desmontar peça a peça as experiências pessoais e situações reais e performativas que desencadeia, a artista tem visado estabelecer em cada projecto uma relação de cumplicidade baseada na perspectiva do desafio partilhado: algo que tanto compreende a revelação de subtis transgressões como a recepção liberta de constrições moralistas. Estas características do seu trabalho estavam já enunciadas em Breviário do Quotidiano #1Excuse Me Could I Have a Blanket? (1999) e Breviário do Quotidiano #2 (1999), peças onde os diversos objectos triviais reunidos testemunhavam acções de furto empreendidas pela própria artista em diversos contextos; e pautavam também mais recentemente a sua peça Odeio ser gorda, come-me por favor! #2 (2002). Um trabalho onde a frase do título, inscrita nas múltiplas travessas de porcelana que compunham a obra, surgia irredutivelmente aliada à imagem do seu corpo. A reforçar os factores evidenciados acresce ainda esta qualidade biográfica da sua obra e a possibilidade sempre aberta ao estabelecimento de uma contínua interacção entre as motivações da razão singular e as perspectivas mais extensas da vivência universal.

Na presente exposição individual diz que me amas, dedicada ao universo dos afectos e das relações amorosas, é possível suster a presença de uma mais ampla e significativa combinação de direcções referenciais. À semelhança de anteriores trabalhos o registo mais privado permanece, aparecendo reflectido muito particularmente na estrutura labiríntica de pensamentos e alusões pessoais que ornamentam os cerca de quarenta pares de chinelos apresentados em para que me calientes por la noche. Todavia no conjunto da sua abordagem parece ganhar destaque o plano do domínio público e o sentido de uma apropriação objectual alicerçada nos efeitos do espectacular e do publicitário. A título de exemplo podemos referir o néon diz que me amas e a atracção popular amo-te, não te amo, máquina que a troco de moedas e de alguma persistência retribui ao jogador corações de peluche. Sem dúvida são estas formas que, ao exemplificar diferentes estratégias de exercício da atracção, visam mimetizar a própria dinâmica do jogo de sedução e desencadear, também pelo recurso irónico (bem patente em why not sneeze?), uma distanciação crítica face aos clichés da sua expressão ritual.

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